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A arte de arrebatar corações na avenida

A arte de arrebatar corações na avenida

04.03.2008 Notícias

TATIANE FREITAS

Quem acompanhou o sucesso da música de Tenison Del Rey e Edu Casanova, Cabelo Raspadinho, que estourou e ganhou o Troféu Dodô & Osmarde melhor música em 1999, não imagina que, antes de se render aos acordes da dupla, Bell Marques, do Chiclete com Banana, resistiu e adiou a decisão de gravá-la por alguns encontros.

“Num deles, enquanto eu tocava a música, um amigo nosso subiu na mesa e começou a dançar sem parar. Foi aí que Bell resolveu: "Você venceu, eu vou gravar". Às vezes, o intérprete precisa de um solavanco”, brinca Tenison.

A história quase se repetiu com a canção A Camisa e o Botão (“Quando o sol sair me beije/ Me beije mais, me beije logo….”), dele e de Jauperi. “A gente fez essa música em 2001. Nessa época, eu mostrei para Ivete, para Daniela, mas elas não gravaram.

Como sou intérprete de forró, em 2005 resolvi gravá-la em xote. A minha gravação foi um solavanco, porque depois Daniela e Bruno Mazi gravaram e Claudia Leite gravou, e a canção virou ícone da carreira dela, inclusive está no DVD”.

Tenison admite que suas pretensões como compositor é pontuar a carreira de um intérprete, com canções que acompanhem a trajetória daquele artista.

“Eu busco sempre fazer músicas com potencial de ser "a música"“.

PEGADA DE RUA – Assim como Tenison, a maioria dos compositores iniciou a carreira despretenciosamente, com a intenção de apenas fazer arte.

“Quando passei a ser remunerado por isso, a perspectiva mudou. Antes eu ficava meio desconfiado de fazer música sob encomenda, até o dia em que descobri que Tom Jobim fez obras belíssimas sob encomenda”, conta ele.

Com 300 músicas gravadas, muitas também sob encomenda, Alain Tavares conta que prefere gravar sem endereço certo.

“Depois me procuram e aí eu mostro”.

Ele diz que também acontece de fazer uma música e já saber a quem oferecer. “Ivete, mesmo, gosta de pegada de rua, de música alegre”.

Outras canções já chegam na mão do cantor como um presente do compositor. Alain, por exemplo, fez muitas canções nesse contexto. Ele conta que uma delas, Pipoca (“O Ara Ketu, o Ara Ketu quando toca deixa todo mundo pulando que nem pipoca”), chegou a ser endereçada para outra banda, mas, por uma desavença momentânea, a homenagem foi para o Ara.

MERCADO DIFÍCIL – Privilegiados por viver de música, os compositores só lamentam o fato de a pirataria ter comprometido a possibilidade de retorno financeiro para eles.

“Sobrevivo de direitos autorais do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), tenho muitas canções executadas fora do Brasil. Posso ter uma casa, pagar a faculdade dos meus filhos, mas a pirataria desempregou mais de 80 mil pessoas”, lembra Alain.

Apesar dos pesares, o artista afirma que a profissão é muito gratificante. Ele lembra que um dia estava ouvindo um programa de rádio em que as pessoas dedicavam canções para alguém especial e foram citadas duas músicas dele seguidas, Namoro a Dois e Vumbora Má.

 

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