
IA na música: inovação não pode significar apropriação
A inteligência artificial já faz parte da música. Ela apoia processos criativos, ajuda na organização de grandes volumes de dados, contribui para a identificação de obras e pode tornar a gestão coletiva cada vez mais eficiente.
O ponto central, portanto, não é ser contra a IA. É garantir que a inovação avance com responsabilidade, transparência e respeito aos direitos autorais.
Esse debate ganhou urgência porque as ferramentas de IA generativa dependem de grandes bases de dados para aprender, criar padrões e produzir novos conteúdos. Na música, isso levanta uma pergunta essencial: obras protegidas por direitos autorais podem ser usadas para treinar sistemas sem autorização, transparência ou remuneração dos titulares?
Os números mostram a dimensão do desafio. A Deezer informou que recebe mais de 50 mil faixas totalmente geradas por IA por dia, o equivalente a 34% de todo o conteúdo enviado diariamente à plataforma. ¹ Em pesquisa global feita pela Deezer com a Ipsos, 97% dos entrevistados não conseguiram diferenciar músicas criadas por IA de músicas feitas por humanos. ²
A preocupação também é econômica. Estudo da CISAC aponta que, até 2028, quase um quarto da renda dos criadores musicais pode estar em risco diante do avanço da IA generativa. ³ Ao mesmo tempo, a indústria musical segue em expansão: segundo o Goldman Sachs Research, a receita global da música pode chegar a quase US$ 200 bilhões em 2035, ante US$ 105 bilhões em 2024. 4
Ou seja: a música continua crescendo, mas o futuro desse crescimento dependerá da capacidade do setor de proteger aquilo que está na origem de toda a cadeia: a criação humana.
Para o Ecad, a tecnologia é uma aliada. Ela já contribui para modernizar processos, aprimorar a identificação musical e tornar a distribuição dos direitos autorais mais eficiente. Mas nenhuma inovação pode se sustentar a partir da apropriação indevida da propriedade intelectual, e, obviamente, jamais pode atalho para utilizar repertórios protegidos sem autorização, sem rastreabilidade e sem remuneração.
O futuro da música passa pela tecnologia. Mas também passa pela transparência, pela segurança jurídica e pelo reconhecimento de quem cria. Inovar é necessário. Respeitar direitos autorais é o que mantem a música viva. É para isso que o Ecad atua há quase 50 anos.
Fontes
¹ Deezer: mais de 50 mil faixas totalmente geradas por IA por dia e 34% dos uploads diários. <50,000 AI tracks flood Deezer daily – as study shows 97% of listeners can’t tell the difference between human-made vs. fully AI-generated music – Music Business Worldwide>
² Deezer/Ipsos: 97% dos entrevistados não conseguiram diferenciar músicas geradas por IA de músicas feitas por humanos. <Deezer and Ipsos study: AI fools 97% of listeners>
³ CISAC: 24% da renda dos criadores musicais pode estar em risco até 2028 por impacto da IA generativa. <https://www.cisac.org/Newsroom/news-releases/global-economic-study-shows-human-creators-future-risk-generative-ai>
4 Goldman Sachs Research: receita global da música pode chegar a quase US$ 200 bilhões em 2035, contra US$ 105 bilhões em 2024. <https://www.goldmansachs.com/insights/articles/global-music-revenues-are-forecast-to-double-to-200-million-in-2035?utm_source=chatgpt.com>





