
Manifesto Mais Mulheres no Palco e no Comando
A música brasileira é uma das maiores expressões da nossa cultura. Ela emociona, conecta, transforma e atravessa gerações. Mas, quando observamos quem ocupa os espaços de visibilidade, decisão e reconhecimento no setor musical, percebemos que essa potência ainda não se traduz em igualdade.
Os dados de um levantamento produzido pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) evidenciam que o talento feminino segue sub-representado. Em 2025, apenas 10% do valor distribuído em direitos autorais de música no Brasil foram destinados às mulheres. Nos palcos, a desigualdade também se manifesta: entre as músicas mais executadas em shows no país, no ano passado, a autoria feminina permaneceu praticamente invisível, assim como a presença de mulheres entre os autores de maior rendimento.
Esses números não refletem falta de talento, criatividade ou dedicação. Eles revelam barreiras históricas de acesso, oportunidade e reconhecimento, que ainda limitam a atuação das mulheres na música e na cultura.
O manifesto “Mais Mulheres no Palco e no Comando” nasce da convicção de que é preciso transformar esse cenário de forma coletiva, contínua e estruturada. Mais do que ampliar a presença feminina nos palcos, é fundamental garantir que mulheres estejam também nos espaços de decisão: na gestão dos negócios, na produção, na composição, na curadoria e na liderança do setor musical.
Esse movimento se traduz em compromissos institucionais assumidos pelo Ecad, com foco em ampliar a visibilidade, estimular o diálogo e contribuir para um setor musical mais diverso, inclusivo e representativo.
Assumir esse compromisso é reconhecer que a equidade de gênero é parte fundamental do desenvolvimento e da sustentabilidade do setor musical.
5 Compromissos Ecad
1 – Continuar a investir em levantamentos e relatórios para dar visibilidade à participação das mulheres na música para contribuir com debate qualificado, baseado em dados e com retrato da realidade do mercado musical brasileiro. Produzir e divulgar anualmente uma nova edição do Relatório Mulheres na Música.
2 – Transformar os dados do Relatório Mulheres na Música em ponto de partida para diálogo e conscientização sobre a participação feminina no setor musical, contribuindo para reflexões e a disseminação de boas práticas junto a associações de música, usuários, gestores culturais, eventos e outros agentes do setor.
3 – Ampliar a visibilidade das mulheres no mercado da música. Sempre que possível, buscar a inclusão de mulheres nas divulgações institucionais de dados, como aniversários e datas comemorativas, contribuindo nas ações de comunicação para maior representatividade e valorização das mulheres na música.
4 – Promover na instituição a equidade de gênero, o bem-estar mental e de saúde e o desenvolvimento profissional das mulheres do Ecad. Como parte desse compromisso, o Ecad dará continuidade e fortalecerá o programa ELLAS (Empoderamento, Liderança, Liberdade, Apoio e Sucesso), lançado em 2025, por meio de diferentes ações ao longo do ano, como iniciativas de capacitação, mentoria e espaços de diálogo voltado às mulheres da instituição.
5 – Atuar como promotor de diálogo sobre o tema, disponibilizando porta-voz para participar de debates e eventos voltados a mulheres na música, contribuindo com dados e reflexões sobre o futuro do setor.
Isabel Amorim
Superintendente executiva do Ecad




