Pontos teimosos (Caetano Veloso)

  • Eu Faço Música
    • Associações
    • Distribuição
    • Calendário
    • Comunicados
    • Para titulares
    • Regulamento de Distribuição
  • Eu Uso Música
    • Arrecadação
    • Serviços ao Usuário
    • Simulador de Cálculo
    • Regulamento de Arrecadação
  • Unidades do Ecad
  • Canal do Usuário
  • Associações
  • Caminho do Direito Autoral
  • Imprensa
  • Notícias em Pauta
  • Transparência
  • GRC
Conheça o Ecad Ícone mensagem Fale com o Ecad Banco de dados Ecadnet Ícone nova janela
  • Associações
  • Caminho do Direito Autoral
  • FAQ
  • Imprensa
  • Notícias em Pauta
  • Transparência
  • GRC
Ícone mensagem Unidades do Ecad Banco de dados Ecadnet Ícone nova janela
Logo ECAD
  • Eu Faço Música
    • Associações
    • Distribuição
    • Calendário
    • Comunicados
    • Para titulares
    • Regulamento de Distribuição
  • Eu Uso Música
    • Arrecadação
    • Serviços ao Usuário
    • Simulador de Cálculo
    • Regulamento de Arrecadação
  • Conheça o Ecad
  • Canal do usuário
  • Fale com o Ecad
PÁGINA INICIAL Notícias Pontos teimosos (Caetano Veloso)
Pontos teimosos (Caetano Veloso)

Pontos teimosos (Caetano Veloso)

22.02.2011 Notícias

Minha posição pessoal referente à questão dos direitos autorais é idêntica à que atribuí a Jorge Mautner no domingo passado: ninguém toca em nem um centavo dos meus direitos. Um amigo me escreveu da Bahia dizendo que eu usei Mautner como as Forças de Defesa de Israel usam escudos humanos palestinos. Claro que meu amigo anda em ambiente de esquerda: quando fala em escudos humanos palestinos não pensa sequer que extremistas muçulmanos possam fazer uso do expediente – tem que ser a força israelense. Mas talvez ele quisesse dizer que minha posição, que deveria estar lhe parecendo pró-internetetes, coincide com a direita. Bem, não dá para decifrar o que ou quem é esquerda ou direita nessa discussão complicada. O Creative Commons é tido como comunismo cibernético. Não é. Mas há um inglês, radical na mesma linha, que assim se caracteriza. E a complicação da discussão pode ser medida pelo fato de que outro amigo meu, também baiano, me escreveu e, parece que supondo que eu estou com os letristas mineiros e com o Aldir, acusa quem defende os direitos autorais contra a troca livre na internet de “neofobia”.

Acabo de ler sobre a grande discussão provocada na Espanha pela lei que procura dar conta da propriedade intelectual diante da realidade da internet. Como todos, sinto-me perdido. Mas o princípio do direito de autor é límpido e eu posso dizer que agarro-me a ele nesse momento obscuro. Não porque preciso agarrar-me a qualquer coisa. Mas porque recuso-me a fingir que vejo a internet como um grande bem que se instaurou entre nós e nos fez mais democráticos. A internet não é, nem nunca me pareceu, algo bom. Nem mau. Ou melhor: sei que é bom (veja a Tunísia e o Egito). E sei que é mau (veja o monte de burrice e loucura que se produz no mundo virtual e seu nefasto efeito de retirar de nós a confiança no que lemos e ouvimos – e de destruir toda mediação que nos possibilita selecionar). Andrew Keen, que escreveu “O culto do amador”, é um moralista de tom panfletário. Mas no essencial ele tem razão. Ou pelo menos não podemos descartar as questões que ele coloca. Li livros que advogam o contrário – do de Lessig (inventor do CC) a um chamado “O dilema do pirata”. Este último cheio de argumentos, histórias e exemplos que tampouco podemos ignorar. Mas o de Keen resulta mais forte em mim. É porque acho que devemos respeitar os direitos autorais. Sem concessões. A internet que se vire. Ela e toda sua multidão de internautas em blogs e redes sociais que se vejam na situação de introjetar as leis da vida off-line, a nossa vida. Daqui de fora, podemos exigir.

Estou adorando Dilma. Lula era muito show business (eu já sou saturado do elemento). Dilma mandou guardar a Bíblia e o crucifixo, adiou a decisão sobre a compra dos caças, portou-se magnificamente bem na Argentina. O ministro Patriota já soa como um alívio depois das trapalhadas em tom elegante do seu predecessor. Dilma parece presidir. Claro que temos todos os problemas de grupos disputando cargos e influência – além do grande problema Brasil de sempre: obscena distribuição de renda, educação miserável, infraestrutura “tudo-ainda-é-construção-mas-já-é-ruína”, impotência para controlar os gastos. Sei que estamos no período de lua de mel com a presidente. Mas temos muitas razões para estar confiantes. Se a inflação global não tornar tudo impraticável, Dilma pode fazer um governo muito decente. Sou insuspeito: não votei nela nem aprovei o tom com que Lula e sua turma tocaram a campanha. Mas que tá bom, tá. Serra, nem pensar.

Há quem reclame por eu falar de política. Há quem se ressinta da obscuridade do meu estilo. Mas não tenho vontade de abandonar este espaço. Quando li uma entrevista horrorosa que dei recentemente, me senti dispensado de sofrer: tenho minha coluna no GLOBO, as pessoas podem ver como me expresso, de que modo é que sou confuso, quais os pontos teimosos de minha verve opinativa. Quanto à entrevista, não vou culpar os jornalistas: agora sou meio colega e a tradição corporativa da imprensa precisa se manter – sobretudo quando os grandes jornais se veem ameaçados pelo democratismo da internet (não são só os direitos autorais e a Modern Sound que se extinguem). E falo de política porque não quero falar de música. Política me excita. Música me entedia. Tom Jobim já dizia que é besteira pedir a entrevistadores que falem de música com os músicos: estes gostam de tocar, mas quando conversam querem falar sobre política, futebol, sexo, religião. E desde o começo me prometi tratar o mínimo possível de música aqui: não quero me defender criticamente. Embora, claro, talvez o faça sem perceber – e um dia venha a precisar fazê-lo de forma ostensiva. Quem sabe?

Na Bahia faz-se força para evitar a construção do Porto Sul, com sua ferrovia e seu pátio de minérios. Sou pelo desenvolvimento e por Dilma, torço pela economia brasileira, mas amo demais a Mata Atlântica ao redor de Ilhéus.

Não gostei de “Biutiful”. É o esquema naturalista: crer que se vai mais fundo quando se encara a degradação. Gostei de “Tio Boonmee”, um filme bem maluco, muito bom de contar depois. Quando se vai dizer a quem não viu o filme sobre o que é que ele é, descobre-se quão fascinante é aquilo. Mas já bastava a imagem da búfala na luz da manhã, no prólogo. Eu poderia fazer disto aqui uma coluna gozada de crítica de cinema.

Estou adorando Dilma. Lula era muito show business (eu já sou saturado do elemento).

compartilhe este conteúdo

Facebook Whatsapp Linkedin

continue lendo

Prefeitura de Linhares (ES) acumula dívida de R$ 800 mil em direitos autorais de execução pública musical

Prefeitura de Linhares (ES) acumula dívida de R$ 800 mil em direitos autorais de execução pública musical

16.07.2026 Notícias

Município está inadimplente com o Ecad desde julho de 2025; valores arrecadados são destinados a compositores e artistas Com cerca de R$ 800 mil em direitos autorais não pagos pela Prefeitura de Linhares, no Espírito S...

Artistas e compositores deixam de receber R$ 15 milhões em direitos autorais no Rio Grande do Norte

Artistas e compositores deixam de receber R$ 15 milhões em direitos autorais no Rio Grande do Norte

16.07.2026 Notícias

Natal e Mossoró estão na lista de prefeituras inadimplentes junto ao Ecad Com cerca de R$ 15 milhões em direitos autorais não pagos por prefeituras do Rio Grande do Norte, milhares de artistas e compositores deixam de s...

Aos 60 anos, Samuel Rosa tem trajetória celebrada em levantamento do Ecad

Aos 60 anos, Samuel Rosa tem trajetória celebrada em levantamento do Ecad

13.07.2026 Notícias

“Resposta” lidera os rankings de execuções públicas e regravações de seu repertório Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Samuel Rosa construiu um repertório que ajudou a escrever a história do pop ro...

IA na música: inovação não pode significar apropriação

IA na música: inovação não pode significar apropriação

10.07.2026 Notícias

A inteligência artificial já faz parte da música. Ela apoia processos criativos, ajuda na organização de grandes volumes de dados, contribui para a identificação de obras e pode tornar a gestão coletiva cada vez mais e...

Governo do Amazonas acumula dívida superior a R$ 8 milhões em direitos autorais de música

Governo do Amazonas acumula dívida superior a R$ 8 milhões em direitos autorais de música

09.07.2026 Notícias

Levantamento do Ecad aponta que cerca de 75% do débito refere-se ao Festival de Parintins O Governo do Estado do Amazonas acumula uma dívida superior a R$ 8 milhões em direitos autorais de execução pública de músicas...

80 anos de João Bosco: veja repertório que marcou a música brasileira

80 anos de João Bosco: veja repertório que marcou a música brasileira

09.07.2026 Notícias

Levantamento do Ecad destaca as músicas mais tocadas e regravadas do compositor Dono de uma obra sofisticada, João Bosco chega aos 80 anos, celebrados no próximo dia 13 de julho. Para homenagear a data, o Ecad (Escritór...

Ícone com seta para esquerda Voltar para listagem
Logo ECAD

Sobre o ECAD

  • O Ecad
  • Resultados
  • Ranking
  • Gestão coletiva
  • Caminho do Direito Autoral

Associações

  • Conheça as Associações
  • Abramus
  • Amar
  • Assim
  • Sbacem
  • Sicam
  • Socinpro
  • UBC

Eu Faço Música

  • Associações
  • Distribuição
  • Calendário de distribuição
  • Comunicados
  • Titulares

Eu Uso Música

  • Arrecadação
  • Serviços ao Usuário
  • Simulador de Cálculo
  • FAQ
  • Imprensa
  • Em Pauta

Fale com o Ecad

  • Onde estamos
  • Fale com o Ecad
  • Canal de Ética
  • Trabalhe Conosco

Redes sociais

Canal do Usuário Acesso ao Ecadnet
  • Portal da privacidade
  • Termos de uso
  • Política de Cookies
whatsApp milla-closed milla-opened